OMS afasta, por agora, cenário de epidemia ou pandemia
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou esta quinta-feira, 7 de maio, que o surto de hantavírus identificado num navio de cruzeiro - responsável até agora por três mortes - não representa, neste momento, o início de uma epidemia nem de uma pandemia. "Não é o início de uma epidemia. Não é o início de uma pandemia, mas é a ocasião ideal para recordar que os investimentos na investigação sobre agentes patogénicos como este são essenciais, pois os tratamentos, os testes de rastreio e as vacinas salvam vidas", declarou a diretora interina de Prevenção e Preparação para Epidemias e Pandemias da OMS, Maria Van Kerkhove.
Em Genebra, perante os jornalistas, Maria Van Kerkhove frisou que o hantavírus não é um coronavírus: "É um vírus muito diferente, que já existe há bastante tempo, nós conhecemo-lo. Por isso, quero ser clara: isto não é o início de uma pandemia como a da covid-19". "Trata-se de um surto num navio, num espaço confinado, com cinco casos confirmados até ao momento", acrescentou.
O diretor de operações de alerta e resposta a emergências sanitárias, Abdi Rahman Mahamud, considerou que as autoridades estão confiantes de que o surto "permanecerá contido se as medidas de saúde pública forem aplicadas e se todos os países demonstrarem solidariedade".
Balanço de casos e período de incubação do hantavírus (estirpe dos Andes)
As declarações dos dois especialistas foram feitas na primeira conferência de imprensa organizada pela OMS desde o início desta crise. "Até ao momento, foram notificados oito casos, incluindo três óbitos. Cinco desses oito casos foram confirmados como sendo causados pelo hantavírus, enquanto os outros três são considerados suspeitos", tinha dito antes o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Tedros Adhanom Ghebreyesus salientou que, "tendo em conta o período de incubação do vírus (da estirpe dos) Andes, que pode atingir seis semanas, é possível que sejam notificados mais casos", acrescentou.
O que se sabe sobre transmissão, vacina e tratamento
Não há vacina nem tratamento específico para este vírus. A infeção pode ocorrer após contacto com roedores, e a estirpe dos Andes - detetada em passageiros infetados - é a única associada a casos conhecidos de transmissão entre humanos. O período de incubação da doença pode estender-se até seis semanas.
Não existe vacina nem tratamento específico contra este vírus, que pode ser contraído através do contacto com roedores e cuja estirpe dos Andes, detetada em passageiros infetados, é a única conhecida por casos de transmissão entre humanos.
Navio de cruzeiro MV Hondius: rota e investigação sobre o local de contágio
O navio de cruzeiro onde foram registados os casos e as mortes partiu de Ushuaia, na Patagónia, a 1 de abril, com destino a Cabo Verde. Por isso, os investigadores procuram apurar se o contágio ocorreu em terra - na Argentina, Chile ou Uruguai - por via de roedores, ou se já terá acontecido a bordo.
Cronologia: paciente zero, desembarques em Santa Helena e evacuações em Cabo Verde
O primeiro passageiro a desenvolver sintomas - febre, dor de cabeça e diarreia ligeira - foi um holandês de 70 anos, que adoeceu a 6 de abril e é apontado como o paciente zero. O homem morreu no navio a 11 de abril. Treze dias mais tarde, o corpo foi desembarcado em Santa Helena (uma ilha remota do Oceano Atlântico sul integrada em território britânico), juntamente com o da sua mulher, uma holandesa de 69 anos. A mulher também apresentou sintomas, mas viajou para Joanesburgo, na África do Sul, a 25 de abril, onde pretendia apanhar um voo para os Países Baixos. Morreu no dia seguinte, e a infeção por hantavírus foi confirmada a 4 de maio.
De acordo com a empresa de navegação, ao todo 30 passageiros - incluindo o corpo do paciente zero - desembarcaram do navio de cruzeiro em Santa Helena.
Entretanto, a 2 de maio, um cidadão alemão morreu a bordo depois de ter começado com sintomas a 28 de abril. Além disso, um passageiro suíço, que também desembarcou em Santa Helena, foi hospitalizado em Zurique e testou positivo. Já em Cabo Verde, mais três casos suspeitos foram desembarcados na quarta-feira do navio "MV Hondius" - dois tripulantes britânicos e holandeses doentes e um contacto assintomático - e seguiram em voos médicos que partiram da Praia. Os hantavírus são transmitidos aos humanos através de roedores selvagens infetados que excretam o vírus na saliva, urina e fezes.
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