Patrulha combinada China-Rússia com H-6K e Tu-95
Na mesma semana em que a Rússia e a China efectuaram um destacamento conjunto de bombardeiros estratégicos, Pequim e Moscovo mantiveram no ar, durante cerca de oito horas, plataformas H-6K e Tu-95. A missão contou ainda com escolta de caças J-11BS, J-16 e Su-30MK2, bem como com o apoio de aeronaves de alerta aéreo antecipado e controlo KJ-500A.
De acordo com o que já tinha sido noticiado, esta foi a segunda vez, em 2026, que um exercício deste tipo ocorreu. Olhando para o histórico desde 2019, tratou-se da décima ocasião em que a China e a Rússia afectaram meios a patrulhas combinadas desta natureza.
Demonstração no Pacífico: B-52H e F-15J dos EUA e do Japão
Em resposta ao sinal de dissuasão transmitido pelos seus dois principais rivais geopolíticos na região, as Forças Aéreas dos Estados Unidos e do Japão evidenciaram no Pacífico as capacidades do bombardeiro B-52H e do caça F-15J. Conforme indicado oficialmente, a actividade serviu também como oportunidade de treino para reforçar a interoperabilidade entre as duas forças aliadas, abrangendo diferentes áreas do Mar do Japão.
Reproduzindo declarações do Ministério da Defesa do Japão: “Tendo em conta a crescente gravidade do ambiente de segurança no Japão (…), confirmámos a firme determinação do Japão e dos EUA em não permitir qualquer alteração unilateral do status quo pela força, bem como a prontidão das Forças de Autodefesa do Japão e das forças militares dos EUA, e reforçámos ainda mais a dissuasão e a capacidade de resposta.”
Porta-aviões Liaoning e operações junto ao Estreito de Miyako
Em paralelo com estes acontecimentos - e até com a possibilidade de terem existido operações conjuntas durante parte do voo de patrulha -, o porta-aviões chinês Liaoning navegava em águas adjacentes ao Estreito de Miyako, permitindo que a ala aérea embarcada realizasse voos de treino.
Para o Japão, o episódio não é de somenos importância: além de ter sido registada a presença de um dos navios emblemáticos do “Gigante Asiático” em águas próximas do país, os meios destacados para o acompanhar estiveram no centro de acusações cruzadas de assédio entre as duas nações.
Tensões China-Japão e impacto em Taiwan e Coreia do Sul
Alargando o enquadramento, torna-se relevante notar que as tensões entre a China e o Japão se intensificaram de forma significativa nas últimas semanas, em particular após a chegada ao poder da nova primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. Na perspectiva de Pequim, a líder distingue-se negativamente por uma retórica considerada belicista, sobretudo devido às suas declarações sobre uma eventual intervenção militar do Japão em apoio a Taiwan, caso exista uma tentativa de reunificação pela força. A isto soma-se o facto de 2026 ser o ano em que se assinala o 80.º aniversário da vitória dos Aliados sobre o Eixo na Segunda Guerra Mundial, tema que o “Gigante Asiático” tem usado com frequência na sua disputa discursiva.
Em contrapartida, aos olhos de Tóquio, é a China que tem responsabilidade primária pela diminuição da estabilidade regional, devido à crescente frequência dos seus destacamentos militares no Indo-Pacífico. A propósito da patrulha realizada com a Rússia, o actual Chefe do Estado-Maior-General japonês, general Hiroaki Uchikura, afirmou: “Consideramos isto uma preocupação grave do ponto de vista da segurança do Japão”; uma posição que, pouco depois, foi reforçada pelo ministro da Defesa do país numa recente chamada telefónica com o secretário-geral da NATO.
Por fim, importa considerar que estes movimentos militares estão a produzir efeitos noutros países da região, como Taiwan e a Coreia do Sul. A partir de Taipé, foi comunicado que foram detectadas até 27 aeronaves e um número não especificado de navios a realizar actividades de prontidão nas imediações da ilha; já a partir de Seul foi indicado que foram destacados aviões de combate para monitorizar a passagem de plataformas russas e chinesas através da sua zona de identificação de defesa aérea.
Imagem de capa: @jointstaffpa no X
Tradução: Constanza Matteo
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