Os EUA continuam a reforçar as suas capacidades militares nas Caraíbas no âmbito da Operação Southern Spear, uma missão que começou como esforço de interdição do narcotráfico e que, nas últimas semanas, alargou o seu alcance para aumentar a pressão sobre o governo de Nicolás Maduro. Fontes oficiais confirmaram o envio de caças furtivos F-35A da Guarda Nacional Aérea de Vermont, numa nova escalada da presença aérea norte-americana na região.
Deslocação de F-35A a partir de Vermont
Um responsável norte-americano indicou que aeronaves F-35A da 158th Fighter Wing serão destacadas para as Caraíbas. Embora não tenham sido divulgados o número de aparelhos, a data de chegada nem o destino final, foi referido que poderão operar a partir da antiga Base Naval de Roosevelt Roads, em Porto Rico, recentemente utilizada como centro de operações para meios aéreos do Departamento de Defesa.
Órgãos de comunicação social de Vermont noticiaram que a unidade está a preparar-se para a deslocação. "A tenente-coronel Meghan Smith confirmou à rádio pública de Vermont, na quarta-feira, que a 158th Fighter Wing 'recebeu uma ordem federal de mobilização'", referiu o meio. A oficial acrescentou: "Embora não possamos discutir calendários ou localizações específicos, os nossos aviadores treinam continuamente para garantir que estão preparados para apoiar missões federais e estaduais quando e onde forem necessários."
O governador de Vermont, Phil Scott, afirmou não ter detalhes sobre o destino dos caças. "O Pentágono emitiu as ordens de mobilização ao abrigo do Título 10", declarou. "Não há muito que eu possa partilhar porque não sei muito sobre a missão. Tudo, tanto quanto entendo, vem da Guarda Nacional ou do Pentágono, neste momento."
A chegada do F-35A - os primeiros caças tácticos da Força Aérea dos EUA (USAF) destacados nas Caraíbas - aumentará a capacidade de ataque das forças norte-americanas. Estas aeronaves podem empregar munições guiadas de 907 kg e operar a maior alcance do que o F-35B actualmente em Porto Rico, o que constitui um reforço significativo da componente aérea da Southern Spear.
Reforço das capacidades aéreas em Porto Rico e nas Caraíbas
O destacamento dos F-35A junta-se à recente chegada de aeronaves de guerra electrónica EA-18G Growler, detectadas em Roosevelt Roads, bem como à integração de meios de combate, de busca e salvamento em combate (CSAR) e de plataformas de reabastecimento aéreo. Fotografias divulgadas pela agência Reuters mostraram aeronaves HC-130J Combat King II e helicópteros HH-60W Jolly Green Giant II estacionados em Porto Rico. Em simultâneo, aviões KC-135 Stratotanker estão a operar a partir da República Dominicana e aeronaves KC-46 Pegasus fazem o mesmo a partir das Ilhas Virgens dos EUA.
Segundo fontes do Pentágono, esta concentração de unidades traduz-se numa postura regional mais adequada para operações aéreas tácticas de combate sobre território hostil.
Numa conferência de imprensa com jornalistas, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o presidente dos EUA não procura um conflito prolongado na Venezuela. "Uma guerra prolongada é algo em que o presidente não está interessado", disse. Acrescentou que o objectivo é "ver o fim do tráfico ilegal de droga para os Estados Unidos".
Actividade do USS Gerald R. Ford e operações associadas
A presença aérea é complementada pelo destacamento naval liderado pelo porta-aviões nuclear USS Gerald R. Ford (CVN-78), que retomou operações nas Caraíbas após uma escala em St. Thomas. O navio, pertencente ao Grupo de Ataque de Porta-Aviões 12, entrou na região a 16 de novembro para executar missões de vigilância marítima, interdição e apoio à segurança regional sob o SOUTHCOM.
Nos primeiros dias de dezembro, as aeronaves da Ala Aérea Embarcada n.º 8 - incluindo F/A-18E/F Super Hornet, EA-18G Growler e E-2D Advanced Hawkeye - mantiveram um ritmo elevado de operações no convés, com exercícios de apontamento, descolagens e patrulhas aéreas.
Nesse mesmo período, sistemas de monitorização registaram um voo de dois F/A-18 Super Hornet sobre o Golfo da Venezuela. As aeronaves, identificadas como "Rhino 11" e "Rhino 12", realizaram um sobrevoo de 40 minutos em espaço aéreo internacional e presume-se que estivessem a operar a partir do USS Gerald R. Ford, que está destacado na área desde novembro.
Uma operação em evolução
A Southern Spear continua a integrar novas capacidades e plataformas, num processo de expansão acelerada. A chegada do F-35A, somada ao aumento de meios CSAR, de aeronaves de reabastecimento e de unidades navais, assinala uma mudança no grau de prontidão operacional dos EUA nas Caraíbas.
Esta evolução aponta para um cenário em que as forças norte-americanas estão a configurar uma presença orientada para sustentar operações aéreas complexas, mantendo simultaneamente objectivos públicos ligados à interdição do narcotráfico e à pressão diplomática sobre o governo venezuelano.
Imagem de capa obtida junto da Guarda Nacional Aérea de Vermont.
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