Histórias de bastidores e pequenos episódios da rodagem do segundo - e particularmente atribulado - filme da saga "Star wars" chegam agora num novo álbum de Laurent Hopman e Renaud Roche.
Biografia mediática com forma de narrativa
Contar a vida de uma figura pública muito exposta implica mais do que alinhar factos: é preciso organizar uma realidade já conhecida de modo apelativo, para prender até quem, à partida, não tem grande interesse no biografado.
Nesse aspecto, o "Episódio II" de "As guerras de Lucas", que a Ala dos Livros continua a publicar em português, acerta em cheio. E fá-lo com um trunfo adicional: a construção do livro, à semelhança da própria saga "Star wars" que convoca, tem fôlego de épico - arranca em crescendo, empurra depois o protagonista para uma depressão profunda e, por fim, fecha em apoteose.
George Lucas e "O império contra-ataca": a viragem turbulenta
Na prática, Laurent Hopman (argumento) e Renaud Roche (desenho) limitam-se a transportar para a banda desenhada aquilo que George Lucas viveu por causa de "O império contra-ataca", o segundo filme da franquia "Star wars" e, para muitos, o melhor. Ainda assim, essa transposição resulta eficaz e cativante.
Onde muitos se teriam acomodado, a viver indefinidamente à sombra do sucesso do filme original, Lucas - que, aos olhos de quase toda a gente, passara de excêntrico a génio graças ao impacto do primeiro capítulo - escolheu avançar. Preferiu dar o passo seguinte: erguer um "santuário" para gente do cinema e lançar-se no "Episódio II".
Mas, do financiamento aos desastres naturais, dos acidentes com actores aos atrasos nas filmagens e na pós-produção, das opções mal conseguidas à dificuldade de convencer alguns protagonistas a regressarem à franquia, tudo parecia alinhar-se para esmagar as ambições de Lucas. E, como se não bastasse, ainda tinha de equilibrar esta pressão com o relacionamento com a mulher.
Parcerias, desistências e um ritmo de aventura
É precisamente da exposição destas histórias - das colaborações que correm bem às desistências pelo caminho, das inimizades dentro da máquina de Hollywood às anedotas pontuais - que se compõe este "Episódio II".
Apesar de ser, no essencial, um relato histórico, lê-se com a energia de uma aventura: há a concisão necessária, um bom controlo do tempo, um ritmo certo e um grafismo expressivo e dinâmico, dominado por cinzentos, mas marcado aqui e ali por apontamentos de cor que sublinham os momentos decisivos.
Como bónus, num percurso em que desfilam nomes bem conhecidos do cinema, surge ainda a revelação da origem de um certo Indiana Jones, que quase se chamou Smith...
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