Protesto do Pussy Riot na Bienal de Veneza
Uma ação de protesto do coletivo ativista Pussy Riot levou o pavilhão russo na Bienal de Veneza a encerrar temporariamente esta quarta-feira, no segundo dia da semana de apresentação do evento artístico na cidade italiana, que abre ao público no dia 9.
Slogans e intervenção junto ao pavilhão russo
De acordo com o “The Guardian”, os manifestantes, com as cabeças tapadas por balaclavas cor de rosa, correram em direção ao pavilhão da Rússia e concentraram-se no exterior, onde acenderam sinalizadores de fumo rosa, azuis e amarelos ao som de música punk. Entre as palavras de ordem, ouviu-se “O sangue é a arte da Rússia”. Nos corpos dos participantes podiam ler-se frases como “Curadoria de Putin, cadáveres incluídos”, “A Rússia mata, as bienais mostram” e “Arte russa, sangue ucraniano”.
Tentativa de entrada e intervenção policial
O grupo, com cerca de 40 pessoas - incluindo membros do movimento ativista feminista Femen - tentou aceder ao interior do pavilhão, mas acabou impedido pela polícia. O pavilhão russo, que nesta edição ensaia o regresso a Veneza desde o início da guerra na Ucrânia, manteve-se encerrado durante algum tempo.
Declarações de Nadya Tolokonnikova e críticas à propaganda russa
Nadya Tolokonnikova, membro fundadora do Pussy Riot, disse ao jornal britânico que ficou chocada ao ver, no primeiro dia desta semana de apresentação, pessoas a celebrar no pavilhão russo “entre garrafas de Prosecco e música tecno em alto volume”. Tolokonnikova, que liderou a iniciativa, acrescentou: “É estranho para mim que a Europa continue a dizer que a Ucrânia é um escudo para todo o continente europeu, mas abra as suas portas repetidamente à propaganda russa”.
Apelo a Pietrangelo Buttafuoco e proposta para 2028
A ativista dirigiu-se a Pietrangelo Buttafuoco, presidente da bienal, pedindo que “pare de aceitar dinheiro russo” e que fale com o grupo. Num comunicado de imprensa citado pelo “Guardian”, as Pussy Riot propuseram-se, de forma irónica, assumir a curadoria do pavilhão russo na Biennale de 2028, “comprometendo-se a utilizar trabalhos de artistas que são ou foram impressos em estabelecimentos de correção russos”.
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