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Filme sobre Alves dos Reis, O Homem que Roubou Portugal, apresentado em Cannes

Homem vestido formalmente sentado à mesa a contar notas de euro em escritório elegante.

O projeto de um filme inspirado na história do burlão português Artur Alves dos Reis, apontado como responsável "por uma das mais ousadas fraudes financeiras do século XX", vai ser apresentado ainda este mês em Cannes, França, numa obra assinada pelo realizador britânico Thomas Napper.

O filme "O Homem que Roubou Portugal" e a apresentação em Cannes

Segundo um comunicado, a Beta Cinema indica que "O Homem que Roubou Portugal" é uma produção da britânica EMU Films, baseada no livro "O homem que roubou Portugal", de Murray Teigh Bloom, já publicado em Portugal, com filmagens planeadas para Portugal, Reino Unido e África do Sul.

O filme é descrito como um assalto de época com humor negro, partindo do "glamour e agitação política da Lisboa dos anos 1920 para uma Angola colonial e para o mundo das gráficas de Londres".

O projeto desta longa-metragem será dado a conhecer no "Mercado do Filme", que arranca no dia 12 e integra os eventos paralelos do Festival de Cinema de Cannes.

Elenco e declarações dos produtores sobre Alves dos Reis

O elenco é liderado pelo ator britânico James Nelson Joyce, que interpreta Artur Alves dos Reis (1896-1955), e inclui ainda Richard E. Grant, Dominic West, Joel Fry, Herbert Nordrum, Kim Bodnia e Nia Towle, entre outros.

O filme "dará ao público a emoção de um grande filme de assaltos, mas com uma história verídica tão escandalosa que é difícil de acreditar que aconteceu mesmo. É divertido, elegante e cheio de ritmo", afirmou o produtor Michael Elliott em nota de imprensa.

Para o produtor executivo Terry Smith (da Moviedrome), Alves dos Reis foi "um génio do crime que percebeu que falsificar um contrato para imprimir notas de banco era infinitamente mais fácil do que falsificar as próprias notas".

A história também é "uma premonição notável: as ondas de choque que provocou na economia portuguesa e o colapso político que se seguiu ecoam na emissão de dinheiro dos bancos centrais durante a crise financeira de 2008/2009 e durante a pandemia da covid-19", afirmou Terry Smith.

A fraude, as notas de 500 escudos e o desfecho do caso

Artur Alves dos Reis tornou-se conhecido por uma sucessão de crimes ligados à fraude e à falsificação - entre eles notas de 500 escudos, contratos, cheques, assinaturas e diplomas de formação - com o objetivo de enriquecer.

Em Angola, apresentou-se como engenheiro, falsificou assinaturas de administradores do Banco de Portugal e acabou por obter, junto de uma casa britânica especializada na impressão de papel-moeda, a produção de 200 mil notas de 500 escudos, que circularam ilegalmente em Portugal e em Inglaterra. Foi com esse dinheiro que, em 1925, fundou o Banco de Angola e Metrópole.

"Burlas, falsificações e desfalques foram três crimes que Alves Reis cometeu para conseguir uma fortuna", refere a biografia disponibilizada online pelo Banco de Portugal, acrescentando que o burlão foi condenado em 1930 e libertado em 1945.

"Durante o julgamento, alegou que o seu objetivo era simplesmente desenvolver Angola. Morre a 9 de julho de 1955, aos 58 anos, sem fortuna, na sua casa em Lisboa", indica o Banco de Portugal.

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