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Irão pede aos Estados Unidos uma abordagem razoável e o abandono de exigências excessivas para um acordo de paz

Dois homens de fato sentados à mesa de madeira com mapa e maquete de navio, com vista marítima ao fundo.

Impasse entre Irão e Estados Unidos após o cessar-fogo

Desde que o cessar-fogo entrou em vigor, a 8 de abril, as relações entre o Irão e os Estados Unidos permanecem bloqueadas, num cenário de impasse. A trégua surgiu após quase 40 dias de ataques aéreos israelitas e norte-americanos contra o Irão, seguidos por ataques de retaliação de Teerão na região.

Perante este contexto, Teerão instou Washington a “adotem uma abordagem razoável” e a abdicar das suas “exigências excessivas” para que seja possível avançar para um acordo de paz.

Numa intervenção pública, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghai, sublinhou: "Neste momento, a nossa prioridade é acabar com a guerra. Não podemos ignorar as lições do passado. Negociámos duas vezes sobre os aspetos nucleares e, simultaneamente, fomos atacados pelos Estados Unidos".

O mesmo responsável reforçou a mensagem durante a conferência de imprensa semanal, transmitida pela televisão estatal: "O outro lado deve comprometer-se a adotar uma abordagem razoável e a abandonar as exigências excessivas em relação ao Irão".

Proposta de 14 pontos de Teerão e exigências sobre o estreito de Ormuz

Apesar de um primeiro encontro direto no Paquistão, a 11 de abril, as tentativas de reatar negociações voltaram a falhar. Entre o estreito de Ormuz e a questão nuclear, mantêm-se divergências profundas, com pontos de discórdia considerados demasiado relevantes para desbloquear o diálogo.

Numa tentativa de relançar a via negocial, Teerão fez chegar a Washington uma nova proposta, que Trump se comprometeu a avaliar. Ainda assim, já no sábado tinha dito não acreditar que ela fosse aceitável “porque [os iranianos] ainda não pagaram um preço suficiente pelo que fizeram à humanidade e ao mundo nos últimos 47 anos”.

A diplomacia iraniana indicou que este plano, enviado por intermédio do mediador paquistanês, incluía 14 pontos. Segundo Teerão, o documento propunha, numa primeira fase, a aprovação do fim das hostilidades, para depois se discutir a implementação de um acordo num prazo de 30 dias.

De acordo com a agência noticiosa Tasnim, entre as exigências apresentadas pelo Irão constavam:

  • a retirada das forças norte-americanas das zonas próximas do Irão;
  • o levantamento do bloqueio aos portos iranianos;
  • o levantamento do congelamento dos ativos iranianos;
  • o financiamento de reparações;
  • o levantamento das sanções;
  • um “mecanismo” relativo ao estreito de Ormuz;
  • “o fim da guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano”.

A questão nuclear não figurava no plano, embora continue a ser um tema central para os Estados Unidos e Israel, que acusam o Irão de tentar obter armas nucleares - uma alegação rejeitada por Teerão. Esmail Baghai insistiu: "O nosso plano centra-se exclusivamente no fim da guerra".

Reações do IRGC, avisos de Trump e impacto nos preços do petróleo

Em paralelo, o serviço de informações da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) respondeu com dureza, num comunicado difundido pela televisão estatal: "A margem de manobra dos Estados Unidos na tomada de decisões diminuiu".

Na mesma nota, a fonte acrescentou que "O presidente Trump deve escolher entre "uma operação militar impossível ou um mau acordo com a República Islâmica"".

Também o antigo comandante-chefe da Guarda Revolucionária, Mohsen Rezaei - nomeado em março como conselheiro militar do novo líder supremo do Irão - deixou ameaças, dizendo que poderia afundar navios de guerra norte-americanos e enviar as suas forças “para o cemitério”, ao mesmo tempo que classificou Washington como pirata.

Do lado norte-americano, Trump afirmou no domingo que as conversas com o Irão estão a ser “muito positivas” e adiantou que ia lançar hoje uma operação para libertar navios retidos no Golfo Pérsico há dois meses. Ainda assim, advertiu para as implicações de qualquer tentativa de bloqueio à operação, chamada “Projeto Liberdade”, avisando que, se o Irão a interferir, terá “de lidar com a situação pela força”.

A guerra, que já se prolonga há pouco mais de dois meses, causou milhares de mortos, sobretudo no Irão e no Líbano, e tem provocado efeitos graves na economia global.

Os preços do petróleo registaram uma subida sem precedentes desde 2022, impulsionados pelo encerramento do estreito de Ormuz, por onde passava anteriormente um quinto dos hidrocarbonetos do mundo.

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